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Hits escondidos: 7 B-Sides do kpop que você deveria escutar

Camila Monteiro

06/09/2019 16h56

Toda semana temos vários lançamentos de grupos de kpop e praticamente umas duas vezes ao ano – as vezes mais – os nossos grupos preferidos retornam com um mini disco, novo conceito e músicas inéditas para serem apreciadas. Com isso, muita coisa acaba passando batido. É difícil acompanhar tanto conteúdo e dependendo da nossa filtragem pessoal – o que eu chamo de gatekeeping musical – grandes jams acabam ficando no vácuo por puro fluxo intenso de material. E faz bastante sentido, pois vivemos numa era de muita informação, gravadoras e grupos por todos os cantos. E mesmo quando selecionamos já nossos grupos do coração, algumas coisas também acabam sendo esquecidas pois ficamos presos em singles e músicas que estão sendo promovidas intensamente. Por causa disso, resolvi criar uma lista com sete músicas que não foram singles mas que deveriam.

  • Kingdom Come (Red Velvet)

Que Perfect Velvet é a grande obra da carreira das Red Velvet isso todas as reveluvs já estão cientes, agora Kingdom Come nunca ter tido um vídeo é um dos maiores equívocos do kpop atual. Em defesa da SM, em um disco cheio de músicas muito acima da média, não é fácil escolher o que vai ser promovido. Kingdom Come é a melhor música das RV e acabou virando uma espécie de canção cult, pois os fãs estão cientes da qualidade, valor e do quão subestimada a música foi. A canção é a melhor representante do conceito velvet do grupo, um r&b que só elas – e Mamamoo – entregam no kpop atual pois é preciso de gogó e conceito bem estabelecido. O que me chama atenção aqui é o fato de Kingdom Come remeter a girlbands antigas como En Vogue e Destiny's Child, sem perder as principais características das integrantes do grupo, e atualizar algo já excelente. Indico fortemente escutar com fones para apreciar cada modulação vocal.

  • HOME (BTS)

A quantidade de música de Bangtan que eu queria colocar nessa lista era enorme mas resolvi ter bom senso e selecionei esse grande jam que em menos de seis meses já se tornou a minha segunda música mais tocada do grupo (sim, eu controlo isso pelo lastfm). Home é a melhor música de Map of the Soul: Persona, também traz elementos old school, e começa com Namjoon dizendo que está exausto e quer voltar para casa. E nós somos a casa. Mi casa, su casa. Jamais esqueço a live que ele fez explicando a produção do álbum e dizendo que ele não conseguia encontrar nenhuma palavra para encaixar e que "my home" não soava bem. Foi daí que surgiu o MI CASA. Jimin cresceu muito nesse álbum e em HOME podemos ver o auge dele, que só não carrega nas costas a música pois estamos falando de BTS e todos se complementam muito bem. A maior injustiça foi HOME ter ficado de fora da turnê Speak Yourself. Até hoje ninguém entendeu esse equívoco. Ainda bem que eles performaram no Muster e tivemos a oportunidade de ver ao vivo essa preciosidade.

  • SIGN (EXO)

Não sei quão popular ou impopular é essa opinião, mas Don't Mess Up My Tempo é o melhor disco que EXO já fez. É maduro, sofisticado, cheio de músicas com potencial de hit, tem coesão e não soa como a grande maioria dos EDMs pop ou latinidades que tomaram conta do kpop nos últimos tempos. A SM perdeu a oportunidade de divulgar esse belo disco como ele deveria. Ao selecionar qual música colocaria aqui fiquei bastante em dúvida entre Sign e Gravity, mas percebo que Gravity foi mais tocada e enaltecida de forma geral e resolvi fazer um "justice for Sign". Já começo destacando as minhas vozes – e bias – do grupo que dominam o refrão: Kyungsoo e Baekhyun. Já sabemos que EXO é boyband raiz em harmonizações e que todos cantam muito; Sign sintetiza isso muito bem principalmente por conseguir conectar a imensa vocal line com a rap line. Muitas vezes sinto uma diferença de qualidade muito grande entre essas linhas, o que acaba afetando a minha relação com a música. Tanto Chanyeol quanto Sehun entram muito bem na música que é um dos melhores b-sides que eles já tiveram.

  • Curve  (SUNMI)

LEE SUNMI. Essa sou eu gritando sempre que posso o nome dessa mulher para todo mundo ouvir. Fiz recentemente um texto sobre a carreira dela (leia aqui) onde expliquei a força e talento que é Sunmi. Ela não possui uma música mais ou menos, todo catálogo dela, desde os tempos de Wonder Girls, é impecável, e digo isso sem exageros. Logo que pensei nessa lista, Curve veio direto na minha mente pois é quase um jazz, sensual, calma e toda vez que eu escuto me traz uma paz e ao mesmo tempo me dá vontade de ir a um bar tomar um drink e observar pessoas interessantes ao meu redor. A música também parece ótima para pole dance ou qualquer dança sensual a sua escolha. Vale lembrar que as miyanes, fãs da cantora, consideram a música um hino gay pois ela claramente está se referindo a alguém com curvas na letra. A cantora já mostrou apoio as causas LGBTQ+ várias vezes, portanto faz sentido. E foi ela quem escreveu pois Sunmi é artista.

  • End to Start (NCT 127)

Uma das maiores surpresas do ano para mim até então foi o quão bom é Awaken, o primeiro disco japonês da NCT 127. O disco além de trazer versões de hits já conhecidos do grupo como Cherry Bomb e Fire Truck, possui músicas novas muito boas e o álbum é mais coeso e até mesmo superior aos que eles lançaram em coreano. Porém o que nos ajuda muito a não esquecer desse disco é a última música dele: End to Start. Logo que ouvi pela primeira vez fiquei bastante impactada pois, confesso, não esperava algo assim da NCT 127. O refrão é uma espécie de mantra com todos harmonizando e repetindo "gotta end it tonight to start again, ready for a new flight, time for a slayin"'. A vocal line brilha muito. Doyoung e Taeil são donos da música mas é o trabalho em equipe que faz a canção ficar com a gente. A música tem uma característica etérea que faz ela parecer trilha de algum filme ou jogo épico, e a letra é igualmente boa. Jamais entenderei como wakey-wakey foi single japonês em um álbum que tem end to start. Cultura SM de péssimas escolhas.

  • Stone Heart (TAEMIN)

Se Lee Sunmi é minha solista preferida na ala feminina, na ala masculina temos ele, Lee Taemin. Assim como Sunmi, não existe um erro sequer na carreira solo de Taemin. Todos os discos são bons, conceitos bem trabalhados, vídeos incríveis, voz, corpo, performance, carão, fashion, tudo. Porém Move eleva tudo isso e é, para mim, o melhor disco dele. Por ser um disco tão bom é fácil esquecer dos b-sides, ainda mais um que vem em seguida de Thirsty, outro single de sucesso. Stone Heart merece ser lembrada pois começa quase como uma balada e o arranjo dá uma reviravolta; a música toda é essa gangorra de ritmos que começam e acabam de repente e funcionam perfeitamente bem. E só funcionam bem pois Taemin canta com uma calma peculiar, levemente diferente das outras músicas, nos passando a ideia de total controle do caos musical que estamos escutando.

 

  • HOT (TWICE)

Se existe um disco que eu considero importante na carreira das TWICE, esse disco é Fancy You. Não apenas pela qualidade das músicas mas principalmente por ter dado espaço para as integrantes participarem ativamente da produção do álbum. E também por ter saído um pouco do conceito aegyo que por mais fofo que seja, acaba se tornando repetitivo e ineficaz em mostrar o talento que as meninas possuem. Fancy You é praticamente todo trabalhado em cima do conceito girl crush, as coreografias são mais elaboradas e as músicas permitem que a gente visualize melhor a evolução do grupo. Hot pode não ter sido selecionada como single principal pois Fancy existe – e é um excelente jam – mas possui todas as qualidades para isso. O fato de a Momo ter ajudado a escrever só valoriza ainda mais o hit. O refrão é o que eu chamo de pop perfection, um bate cabelo de muita qualidade que é complementado com uma ponte final perfeita na voz de Mina (Ohh Catch me if you caaaaan). A voz de Mina fica para sempre na nossa cabeça, assim como AH AHA UHU.

Sobre a autora

Camila Monteiro é jornalista e estudante de doutorado em música, mídia e fandoms. Ama cultura pop e é muito fã de Bangtan. Sua vida se divide em antes e depois que ela viu Park Jimin na sua frente.

Sobre o blog

Nesse espaço discutiremos o Universo Kpopper: fandoms, bandas, debuts, disbands, MVs, álbuns, tours, coreografias, Coréia e tudo que o K-Pop nos oferece. Entre visuals, rappers e vocalistas, ultimates e bias wrecker estabelecido(a)s, vamos refletir sobre as diferentes gerações do pop coreano, a influência na moda, beleza, cultura e como o K-pop muda a vida das pessoas.