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Let me love you: Serendipity completa 2 anos

Camila Monteiro

04/09/2019 16h01

402 vezes. Eu escutei a versão completa de Serendipity 402 vezes. É isso que o meu lastfm, rede social que eu uso desde 2007 para ter controle sobre o que eu consumo musicalmente, me diz. Vale lembrar que antes da versão longa eu escutava muito a Intro: Serendipity, o que aumentaria esse número para a casa dos 500. Em um ano, a nova versão do solo de Park Jimin se tornou a música que eu mais escutei desde que criei minha conta, há mais de 12 anos. E hoje, ao ver no topo dos trending topics as comemorações do fandom para os 2 anos da música, eu resolvi rever todos os vídeos das performances, incluindo os que gravei com minhas próprias mãos.

Eu não sei o quão explícita já fui em posts anteriores, mas Jimin foi quem me trouxe ao kpop, a BTS, a todo esse universo que hoje habita não só meu cotidiano como fã, mas principalmente como jornalista e pesquisadora. E foi a combinação da voz extremamente peculiar que ele tem, com um domínio de palco único que me transformaram em uma grande fã dele e do grupo. Apesar de Lie ser icônica, dramática e completamente fora da curva, mesmo num catálogo diverso como o de Bangtan, foi Serendipity que eu repeti diariamente como um mantra nesses últimos anos.

E nessa contextualização de Serendipity, nada mais justo do que começar lá do início, com Kim Namjoon – sempre ele – em uma de suas já tradicionais lives, mostrando a demo da música, com ele mesmo cantando. Existem vários fatores que fazem a gente ligar os pontos e entender o enorme sucesso que BTS faz, mas eu considero esses momentos do Namjoon explicando música por música, tomando um café, levantando para ir ao banheiro, sendo interrompido constantemente, como um dos pilares do relacionamento que a gente estabelece com o grupo. E esse sentimento não expira. Digo isso pois hoje fui rever a live para ouvir Serendipity e senti a mesma proximidade, certa vergonha e orgulho que ele tem de ter escrito uma das músicas mais bonitas e bem sucedidas do grupo.

Mas o que afinal é serendipity? O primeiro contato que tive com o termo foi através da comédia romântica com Kate Backinsale e John Cusack, onde ambos acabam se encontrando várias vezes ao acaso. Lá se vão 18 anos – fiquei levemente chocada quando vi que o filme foi lançado em 2001 – e essa sorte atrelada a um destino meio maktub, onde tudo parece estar escrito, dá o tom a música.

Serendipity completou com êxito a difícil tarefa de abrir a era Love Yourself, depois de um hiato considerável do grupo que estava vivendo o auge com a turnê da grandiosa Wings. Para muitos Wings é o melhor disco de BTS (para mim é o segundo, pois Love Yourself: Tear existe), e sem dúvidas foi um divisor de águas na carreira deles. Seja pela estética, pelo hit Blood, Sweat and Tears ou pelos solos, a Era Wings foi muito marcante e a transição dela para a Love Yourself foi cirurgicamente pensada com Serendipity, seguindo uma linha completamente distinta e dando início a um dos ciclos mais importantes da carreira de Bangtan, explorando amor próprio e autoestima.

Na canção, Jimin é quase um Pequeno Príncipe, sozinho, segurando seu balão amarelo, dizendo que nada é por acaso e que ele é nosso Calico Cat (fun fact: quase não existem calico cats machos, portanto o gato aqui foi usado como uma referência a Jimin ser único, difícil de ser encontrado). Abaixo temos imagens dele interagindo com o gato nos bastidores do vídeo.

Embora eu goste muito do MV, confesso que sinto falta de ver Park Jimin dançando, ainda mais uma música como Serendipity. E aí entra Brian Puspos e a turnê Love Yourself, que nos deram a possibilidade de enfim ver Jimin dando vida a música com seu corpo. E ninguém dá mais vida a qualquer música que seja do que ele. Jimin e Jungkook já haviam dançado anteriormente uma coreografia de Puspos (boa sorte em sobreviver depois de assistir). No vídeo a seguir vemos uma comparação da coreografia original com Puspos dançando e Jimin com suas adaptações.

Jimin é um dos melhores performers do pop e podemos ver isso claramente nas diversas apresentações de Serendipity nas turnês Love Yourself e Speak Yourself. Seja um sorriso a mais, um movimento levemente diferente, ele estourando bolhas, essas pequenas nuances cativam quem assiste, principalmente fãs que já decoraram os passos e se encontram diante de uma nova performance toda vez que ele pisa no palco.

Acima temos Jimin se apresentando na turnê de Love Yourself e abaixo em Speak Yourself, onde ele sai de dentro de uma bolha, como se ele estivesse num globo de neve (daqueles cafonas que a gente compra em viagem).

Tive a oportunidade de ver Serendipity ao vivo quatro vezes, duas em cada tour, e fiquei surpresa com as pequenas modificações e grande profissionalismo do Jimin. No primeiro show em Wembley a bolha simplesmente não "estourou", ele ficou preso dentro dela, o público todo nervoso sem saber o que iria acontecer, mas ele se saiu muito bem, seguiu cantando e eventualmente conseguiu se livrar da bolha e prosseguir com o restante da performance.

Outro aspecto que me chama atenção em Serendipity é o fato de ser completamente diferente de Lie, solo anterior do Jimin na Era Wings. Lie era soturna, sexy, dramática e Serendipity é terna, movimentos fluidos, Jimin sorrindo, bolhas de sabão, são performances diametralmente opostas e que mostram as infinitas possibilidades que o talento dele cria.

Serendipity na Speak Yourself Tour

Serendipity sendo apresentada na tv coreana pela primeira vez

E finalmente Jimin estourando bolhas na Love Yourself Tour:

Serendipity, intro e versão completa, tem mais de 110 milhões de execuções no Spotify e é a intro de BTS mais bem sucedida até então no youtube, com 114 milhões de visualizações. Obrigada Jimin, pela voz e performance, e obrigada Namjoon por ter escrito essa bela obra.

Deixo vocês com Khalid assistindo ao show de BTS e dizendo que Serendipity é o jam dele.

 

Sobre a autora

Camila Monteiro é jornalista e estudante de doutorado em música, mídia e fandoms. Ama cultura pop e é muito fã de Bangtan. Sua vida se divide em antes e depois que ela viu Park Jimin na sua frente.

Sobre o blog

Nesse espaço discutiremos o Universo Kpopper: fandoms, bandas, debuts, disbands, MVs, álbuns, tours, coreografias, Coréia e tudo que o K-Pop nos oferece. Entre visuals, rappers e vocalistas, ultimates e bias wrecker estabelecido(a)s, vamos refletir sobre as diferentes gerações do pop coreano, a influência na moda, beleza, cultura e como o K-pop muda a vida das pessoas.