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Clé 2: Yellow Wood traz lado experimental de Stray Kids

Camila Monteiro

2019-06-20T19:13:45

19/06/2019 13h45

Stray Kids promovendo Yellow Wood (reprodução/JYP)

"Eu me joguei, confiando em mim mesmo. Por que eu só me machuco?". Assim começa Side Effects, novo single de Stray Kids, que lançou ontem (19) Clé 2: Yellow Wood, continuação do já ótimo Clé 1: Miroh, lançado em março. Yellow Wood, baseado no poema "The road not taken" de Robert Frost, fala sobre caminhos divergentes e escolhas, e Side Effects é sem dúvidas a mais ambiciosa delas. Stray Kids mesmo com pouco tempo de carreira já mostrou que pode ser tudo, menos monótono. E Yellow Wood é a comprovação disso; experimental, flertando com sons esquisitos e diferentes dentro do kpop, com letras significativas que contam uma história. Side Effects é quase um industrial,  foge da estrutura comum do pop e reúne os melhores elementos de cada integrante.

O budget parece ter aumentado e o resultado é um MV ainda bastante distópico, numa linha meio Jogos Vorazes – um bom complemento a Miroh – com uma coreografia incrível, uma narrativa que prende (Hyunjin e Seungmin brigando foi algo que eu não estava esperando) e dá continuidade a plot do grupo que já vem se desenrolando desde Hellevator (falei mais sobre isso na review de Miroh aqui).

Uma das razões de eu gostar muito do trabalho que Stray Kids vem desenvolvendo é a força que eles são ao vivo. Um grupo de nove integrantes poderia facilmente se perder, ou ter membros que fazem número mas que objetivamente não agregam valor algum no composé final. SKZ é o oposto disso pois todo mundo é muito talentoso e tem espaço para mostrar isso. As coreografias deles sempre foram boas mas agora estão ainda melhores e Side Effects, por ser uma música fora da curva, deu a possibilidade do grupo criar uma espécie de mini rave – organizada e esteticamente perfeita – no palco. Side Effects não é apenas uma música mas uma interessante experiência.

Experiência essa que dá o tom de todo Clé 2. Não sei se podemos chamar de álbum pois temos apenas 3 músicas (sendo que a primeira tem menos de 2 minutos) inéditas e um combo com as mixtapes (1, 2, 3 e 4) que o grupo já havia lançado, em álbuns físicos apenas, no decorrer dos últimos anos. Acredito que justamente por ter esse recorte e ser "meio do caminho", essa segunda etapa foi mais ousada, desconexa e sem obrigação de entregar uma estrutura ou até mesmo sentido.

Em pouco menos de 2 minutos, Road not taken – clara referência ao poema de Frost que inspirou o álbum – já nos avisa que estamos diante de uma jornada interessante. A música é um edm forte, cheio de elementos diferentes que quando parece ir para outro lugar, infelizmente acaba. Então caímos em Side Effects onde cabeças explodem quando pensamos que aqui temos o kpop flertando com o industrial. A desconexão é a grande chave (heh) desse que é, sem dúvidas, o grande destaque de Yellow Wood. TMT, terceira faixa do disco, é a mais mainstream portanto menos experimental das três inéditas. Mesmo assim seguimos na rave que Side Effects nos colocou e de lá só saímos para cair no combo mixtapes.

As mixtapes são basicamente versões OT9 (de todo grupo) para as músicas feitas por 3RACHA, grupo composto por Chan, Changbin e Han que existia antes de SKZ ser formada e que escreve e produz praticamente todas as músicas deles. Não à toa eles são figuras centrais em todas as mixtapes, apesar de o resto do grupo complementar muito bem o que já era bom.

A primeira mixtape, que se chamava Placebo originalmente, é o que considero um jam bem kpopper. Algo que esperamos do gênero, bem produzida – Chan, sempre ele – mas nada muito diferente, principalmente ao compararmos com o início do disco. Changbin se destaca aqui. Assim como na Mixtape 2, o rap dele é o mais marcante e a música parece uma releitura de grandes baladas da Segunda Geração do kpop (pense BIGBANG no auge). A linha de rappers de Stray Kids é extremamente competente em todos os aspectos e aqui temos uma combinação ótima entre rappers e vocalistas em uma música que tem valor especial para o fandom por retratar a conexão e amizade entre os membros em tempos difíceis como trainees.

A mixtape 3 é a que eu menos gosto, mas encontra novamente em Changbin e Han seus melhores momentos.

Por fim temos a melhor das 4 mixtapes, onde a rap line mais uma vez se destaca, com uma letra bastante pessoal falando sobre altos e baixos e como a música é fundamental para guiar os sonhos deles. O vídeo, gravado por eles mesmos na Austrália, deixa a experiência ainda melhor.

Yellow Wood é uma surpresa muito agradável e faz a gente pensar em Stray Kids fora da caixa; eles estão tateando e descobrindo para onde vão e essa jornada não tem espaço para monotonia, definições ou limitações. Não sabemos o que essas chaves abrirão mas pouco importa, pois o caminho já está valendo o trajeto.

Sobre a autora

Camila Monteiro é jornalista e estudante de doutorado em música, mídia e fandoms. Ama cultura pop e é muito fã de Bangtan. Sua vida se divide em antes e depois que ela viu Park Jimin na sua frente.

Sobre o blog

Nesse espaço discutiremos o Universo Kpopper: fandoms, bandas, debuts, disbands, MVs, álbuns, tours, coreografias, Coréia e tudo que o K-Pop nos oferece. Entre visuals, rappers e vocalistas, ultimates e bias wrecker estabelecido(a)s, vamos refletir sobre as diferentes gerações do pop coreano, a influência na moda, beleza, cultura e como o K-pop muda a vida das pessoas.