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Review: Os monster rookies da ATEEZ lançam terceira parte de Treasure

Camila Monteiro

2011-06-20T19:16:20

11/06/2019 16h20

ATEEZ (reprodução/KQ Entertainment)

Ontem (10) a ainda novata ATEEZ (leia-se 80s, como eighties) lançou a terceira parte de Treasure, intitulada TREASURE EP.3: One To All. O mini álbum é complemento de TREASURE EP1: All To Zero, estreia do grupo, e de TREASURE EP2: Zero to One. Os discos anteriores tinham cerca de cinco músicas e 18 minutos de duração e essa terceira parte não é diferente. Com seis músicas, One To All é a parte mais feel good, leve, cheia de músicas ideais para férias de verão à beira da piscina. Até o visual deles tá mais leve, principalmente se compararmos com Say My Name, do ep anterior, que era bem mais conceitual numa linha Zorro asiático.

O interessante desse novo trabalho do grupo além de mostrar esse lado mais bubblegum pop misturado com latinidades foi o fato deles terem lançado dois MVs para a divulgação. Primeiro temos Illusion que me lembrou bastante alguns singles da WINNER. Hongjoong, líder do grupo, é uma versão atualizada de G-Dragon com Mino. Ele, inclusive, é um dos grandes destaques da ATEEZ ao lado de Mingi, o outro rapper do grupo. Um dos motivos deles funcionarem tão bem é que tanto a rap line quanto a vocal line são bastante talentosas, todos dançam muito bem, cantam muito e são visualmente interessantes. Illusion não tem nada de inovador per se mas é um jam de kpop que se beneficia das qualidades e características particulares dos membros. Hongjoong e San são destaques em um MV que mistura coisas atuais (coreografia, roupas) num contexto descobridor dos sete mares, com os membros dançando em uma espécie de caravela, porém cheia de cores e efeitos, modernizando o conceito. No fim, percebemos que tudo era uma ilusão??!! E as teorias começam.

Já Wave é novamente o kpop abraçando a latinidade que está ainda muito em alta na música mundial de forma geral. Vários grupos já entregaram bops latinos (Superjunior, G-IDLE, BTS, Mamamoo) e agora foi a vez deles. O MV traz o grupo na beira da praia dançando em meio a areias e coqueiros, com uma coreografia bem marcada, roupas tie die e um refrão que a gente precisa se segurar para não rir. HAKUNA MATATA YA. Sim é isso mesmo. O kpop tem uma obsessão com essa expressão, não é a primeira e provavelmente não será a última vez que aparece em alguma música. O melhor e pior de tudo é que fica para sempre na cabeça e a próxima vez que você for ao supemercado vai lembrar deles dançando e cantando HAKUNA MATATA YA.

Além dos dois singles lançados com vídeo (eu particularmente prefiro Illusion, mas Wave é mais sucesso), o disco conta com outras quatro músicas. Utopia abre One To All de forma excelente pois dá o tom do que vamos encontrar no resto do trabalho. Sempre considero a música de abertura dos discos muito importante para vender o resto e quando ela estabelece de forma clara o que nos espera no restante da jornada, é ainda melhor. Utopia faz isso muito bem, não é a melhor música do álbum mas é um bate cabelo que valoriza a ótima vocal line do grupo que mostra alcance vocal e harmonizações em uma música que, a princípio, não parece servir para isso.

Crescent é um interlude conceitual, com apenas 0:47 segundos, não parece fazer muito sentido num disco summer hits mas como eles já deram pistas fora da curva no fim do MV de Ilusion, sinto que estamos diante de teorias e spoilers de futuros projetos do grupo, algo muito comum em grupos de kpop que estabelecem conceitos a longo prazo (BTS é mestre dessa arte).

A penúltima música do mini álbum é também a minha preferida, Aurora. Escrita por Hongjoong (chegou o momento de falar que ele é meu bias do grupo sim), a música é uma homenagem ao fandom, as Atinys, e descreve a sensação do grupo ao pisar num palco e enxergar os fãs, torcendo por eles, brilhando como Aurora. A música começa em tom de balada e vai numa crescente interessante misturando EDM com as vozes do grupo. Yunho, San e Jongho são os grandes destaques vocais dessa que é atualmente uma das minhas músicas preferidas de todos os eps lançados até então.

Por fim mas não menos interessante, temos a música mais fora da curva do disco, Dancing Like Butterfly Wings, que parece uma mistura de One Direction circa Up All Night com McFly. Existe uma tendência atual não apenas no kpop mas no pop em si de voltar a primeira metade dos anos 2000 e essa música parece saída dessa época. E isso não é um problema, muito pelo contrário. Com uma rap line ótima que atualiza o que poderia ser antiquado e batido, a canção funciona muito bem na categoria "músicas para cantar no carro durante uma viagem".

ATEEZ em pouquíssimo tempo já nos deu vários MVs interessantes, diferentes, conceitos diversos, locações incríveis (eles viajam bastante para gravar), vocalistas e rappers sólidos e muito carisma. O mais satisfatório é saber que eles estão apenas começando e poderemos acompanhar essa jornada desde o início.

Sobre a autora

Camila Monteiro é jornalista e estudante de doutorado em música, mídia e fandoms. Ama cultura pop e é muito fã de Bangtan. Sua vida se divide em antes e depois que ela viu Park Jimin na sua frente.

Sobre o blog

Nesse espaço discutiremos o Universo Kpopper: fandoms, bandas, debuts, disbands, MVs, álbuns, tours, coreografias, Coréia e tudo que o K-Pop nos oferece. Entre visuals, rappers e vocalistas, ultimates e bias wrecker estabelecido(a)s, vamos refletir sobre as diferentes gerações do pop coreano, a influência na moda, beleza, cultura e como o K-pop muda a vida das pessoas.